As recentes conquistas nacionais colocam a Cimed como a equipe a ser batida no Brasil. No entanto, no cenário internacional o status de favorito cai por terra. Sem projeção internacional, o clube catarinense inicia nesta terça-feira, em Doha, no Qatar, a disputa do Mundial de Clubes masculino de vôlei como franco-atirador e vê a obrigação por título passar para o italiano Trentino e o russo Zenit Kazan.
"Muda totalmente o quadro que já estamos acostumados. As outras equipes não conhecem a Cimed. Mas temos a responsabilidade de representar o vôlei brasileiro, que é muito vitorioso. Teoricamente os outros levam vantagem, mas temos um ótimo time e vamos buscar o título", afirmou o técnico Marcos Pacheco.
"Aqui no Brasil, a Cimed é favorita sempre. Vai ser nossa chance de jogar sem responsabilidade e pressão. Mas temos que aprender a atuar assim, porque estamos acostumados com o favoritismo", falou o ponteiro Thiago Alves.
Dona de três títulos da Superliga (2005/2006, 2007/2008 e 2008/2009) e atual campeã sul-americana, a Cimed tem como principais concorrentes no Mundial o Trentino, dos brasileiros Leandro Vissotto e Raphael, e o Kazan, dos norte-americanos campeões olímpicos Stanley e Ball.
"Por todo o investimento que envolve estes times, com vários jogadores de seleções, eles entram como favoritos. Mas nós com a responsabilidade de representar o vôlei brasileiro. Não somos favoritos. Correndo por fora, temos chance de chegar à final", opinou o levantador Bruninho, único remanescente da seleção brasileira vice-campeã olímpica em Pequim-2008 na Cimed.
Antes de pensar nos badalados clubes italiano e russo, que pertencem ao grupo A, o clube de Florianópolis precisa combater os desconhecidos Payakan (Irã) na estreia, às 15h desta terça-feira, e Al-Arabi (Qatar), às 13h de quarta. O último adversário na chave B é o polonês PGE Skra Belchatow, às 15h de quinta.
O rival mais difícil na primeira fase irá ao Mundial desfalcado de Michal Winiarski. Ainda assim, o Belchatow tem em seu elenco três jogadores que defenderam a Polônia nos Jogos Olímpicos de Pequim, além do levantador espanhol Falasca, eleito o melhor de sua posição na Copa do Mundo de 2007.
"Mesmo sendo um grupo jovem, temos experiência. Mas a bagagem pesa. Vamos entrar como franco-atirador ou quase isso", disse Lucão, titular da Cimed e da seleção brasileira. Embora tenha apenas um remanescente do último ciclo olímpico, a Cimed emplacou Bruninho, Éder, Lucão, Mário Júnior e Thiago Alves nas recentes convocações de Bernardinho.
Efêmero, o Mundial de Clubes retorna ao calendário após 17 anos de ausência. Em suas quatro edições apenas equipes italianas sagraram-se campeãs. A melhor colocação brasileira foi obtida pelo Banespa nos vice-campeonatos de 1990 e 1991.