Nas disputas internas entre os pilotos de Fórmula 1, os números em treinos de classificação e corridas nem sempre condizem com a pontuação final do campeonato. Em um campeonato equilibrado, algumas marcas se tornam curiosas, como o fato de o brasileiro Rubens Barrichello, terceiro no campeonato, superar o inglês Jenson Button, campeão da temporada, nos treinos de classificação.
Se comparado o número de pontos dos companheiros de equipe na Red Bull, o alemão Sebastian Vettel e o australiano Mark Webber, é possível encontrar equilíbrio, mas o fato curioso é que mesmo com os 14,5 pontos de vantagem que fez Vettel, Webber chegou na frente do alemão mais vezes, foram nove contra oito. O que fez a diferença no caso foram as vitórias de Vettel, que terminou como vice-campeão.
Outro caso semelhante ocorre na Toyota, em que Jarno Trulli superou Timo Glock seis vezes e foi batido em outras nove, mas tem 8,5 pontos a mais. No caso da Brawn, em que Rubens Barrichello ficou 18 pontos atrás do campeão Button, foram 12 as vezes em que o inglês terminou a corrida na frente.
Há disparidades nas disputas entre o inglês Lewis Hamilton e o finlandês Heikki Kovalainen, com quase o dobro de vezes com o campeão de 2008 na frente do companheiro de McLaren, mas em duas equipes a diferença é mais expressiva, na Renault e na Williams. Na escuderia francesa, o espanhol Fernando Alonso ficou 16 vezes na frente de seus companheiros Nelsinho Piquet e Romain Grosjean nos treinos e fez 14 a 3 nas corridas, somando 26 pontos enquanto o brasileiro e o francês passaram em branco.
Já na Williams, Nico Rosberg tem total superioridade contra o japonês Kazuki Nakajima. O alemão teve um placar de 14 a 3 tanto nos treinos de classificação quanto na corrida. Além disso, Rosberg foi o piloto que mais liderou treinos livres e somou 34,5 pontos no campeonato, contra zero do japonês.
As comparações entre os pilotos de cada equipe ficaram mais difíceis neste ano, em comparação com o que ocorreu no ano passado. O número de pilotos, que foi de 22 em 2008, subiu para 26 neste ano, sendo que o número de equipes não aumentou. Cinco das dez equipes trocaram seus pilotos. A quantidade dos que não pontuaram também subiu, o que mostra não apenas uma queda no nível técnico, mas a falta de tempo para adaptação.
Os incidentes e acidentes ocorridos ao longo da temporada fizeram com que três pilotos que jamais haviam disputado corridas de Fórmula 1 estreassem, os casos do espanhol Jaime Alguersuari, na Toro Rosso, do francês Romain Grosjean, na Renault, e o japonês Kamui Kobayashi, na Toyota. Os dois primeiros substitutos foram escolhidos após as respectivas demissões do francês Sébastien Bourdais e do brasileiro Nelsinho Piquet, enquanto o terceiro entrou no lugar de Timo Glock após este ter se acidentado.
Outros dois pilotos mais experientes, ambos italianos, também acabaram escolhidos para corridas e os resultados não foram animadores. Fora de atividade, o veterano Luca Badoer fez apenas duas provas com a Ferrari, em substituição a Felipe Massa. O desempenho fraco nas duas provas foi o suficiente para ele ser dispensado e o também italiano Giancarlo Fisichella entrar para correr em seu lugar, e repetir os maus resultados. Vitantonio Liuzzi tinha um carro pior, a Force Índia, e não pôde demonstrar serviço.